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Toyota Yaris: por uma questão estratégica, a fabricante o classifica como monovolume e não hatchback

Alguém na Toyota teve a ideia de classificar o Yaris Hatchback como “monocab” no ranking da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). “Monocab” significa que o carro é um monovolume ou minivan, como se diz popularmente.

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Tudo isso para o Yaris concorrer diretamente num ranking que tem o Honda Fit como líder disparado, com 83% das vendas dessa subcategoria. Essa é uma das bobagens que, muitas vezes, as montadoras cometem em busca de uma falsa notícia que pode lhes render maior visibilidade no noticiário.

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Toyota Yaris da primeira geração: ou isso é um hatch ou não sabemos mais que nome dar aos carros

É um erro da Toyota classificar o Yaris Hatchback como “monocab”. Ora, o nome já diz tudo: trata-se de um hatch, um carro de dois-volumes, e não de um monovolume. Se não foi a Toyota quem tomou essa iniciativa, ela erra em permitir que a Fenabrave o faça. Porém, embora isso já tenha ocorrido em outras ocasiões, com outros carros de outras marcas, não é razoável supor que alguém dentro da Fenabrave tenha tido espontaneamente a ideia de classificar um carro chamado Yaris Hatchback como “monocab”.

Claro que é mais fácil para o Yaris se destacar somente contra o Fit. Afinal, para se ter uma ideia, os concorrentes do Honda nessa subcategoria são os Fiat Doblò e Idea e os Mercedes Classe A e Classe B. Ou seja: é um nicho que praticamente não existe. O correto seria o Yaris encarar de frente carros como Volkswagen Polo, Fiat Argo, Chevrolet Onix e Hyundai HB20. Porém, essa é a categoria dos dois carros mais vendidos do Brasil (Onix e HB20), o que torna mais difícil dizer que é o líder numa eventual peça publicitária.

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Essas vicissitudes das gentes do marketing sempre estão presentes no mercado. Recentemente, a Ford decidiu rebatizar o Focus Sedan de Focus Fastback. Provocou uma pequena polêmica entre jornalistas especializados durante alguns dias, mas não fez nem cócegas no interesse do público consumidor. O carro continuou com vendas ruins e voltou a se chamar Focus Sedan. Agora, ao contrário, a Ford acertou ao rebatizar o Ka+ de Ka Sedan. Por que não fazer sempre o mais simples?

Distorcendo os fatos

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Toyota Yaris não é o o primeiro carro a ser classificado fora da categoria da qual realmente faz parte. Há outros exemplos

Na tentativa de conseguir notícias positivas, alguns profissionais do marketing distorcem os fatos. Faz um certo tempo, a associação de revendedores Hyundai publicou uma nota dizendo que o HB20 era a família de carros mais vendida do Brasil, pois somava os emplacamentos do HB20 (hatch) e do HB20S (sedã). Entrei em contato com o assessor de imprensa responsável pela notícia para dizer que a informação dele estava errada e que a correta estava publicada numa coluna minha na revista Motor Show, falando que a família de carros mais vendida era a dos Chevrolet Onix/Prisma.

Bem, ele não concordou com meus argumentos, embora eu tenha explicado que o Onix e o Prisma eram o mesmo carro, porém com a traseira e os nomes diferentes. Ele disse que mesmo assim discordava do meu ponto de vista e encerrou a conversa afirmando que para a associação dos revendedores Hyundai o que valia eram carros com o mesmo nome. Então tá. Mas o público não é bobo, não se engana facilmente (embora a nota sobre a família HB20 tenha sido publicada por alguns jornalistas).

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Honda Fit da primeira geração, ao contrário do Yaris, esse sim nasceu como um monovolume, classificação que mantém até hoje

É possível que os responsáveis pelo marketing da Toyota tenham deixado passar essa bobagem e corrijam a situação na Fenabrave. Vamos acompanhar no próximo informe. Se, entretanto, insistir nisso, será uma pena, pois o Yaris é um carro que pode construir uma reputação própria, assim como fizeram o Corolla e o Etios, dois carros da marca japonesa. É mais fácil dizer que o Yaris Hatchback extrapola suas características originais de hatchback e avança até no segmento do Fit do que chamá-lo de monovolume, pois isso exige contorcionismo teórico.

Aliás, se formos realmente rigorosos, talvez até a presença do Honda Fit como “monocab” e do Chevrolet Spin como “grancab” sejam exageradas. Entretanto, o Fit (ou Jazz em alguns mercados) nasceu como um autêntico monovolume, ao contrário do Yaris. Se hoje lembra mais um hatch, pelo menos tem o argumento histórico a seu favor. Já o Spin, parece mais uma perua elevada, assim como o VW SpaceFox.

Finalmente, se alguém surgir com o argumento de que internamente a Toyota “sempre considerou” o Yaris um monovolume, por favor, que mudem o nome do carro e não usem mais “ Yaris Hatchback”. 

Devido à repercussão desse artigo, a Toyota me ligou no dia 26/07/2018 e disse que foi investigar o porquê da classificação do Yaris como “monocab”. Segundo a assessoria da Toyota, houve uma falha de comunicação entre a Abradit (Associação Brasileira dos Distribuidores Toyota) e a Fenabrave na indicação da categoria para inserção do Yaris Hatchback. A assessoria disse ainda que não se trata de estratégia de marketing e que já solicitou à Fenabrave a mudança do Yaris Hatchback para a categoria Hatch Pequeno (a mesma do VW Polo, Chevrolet Onix etc.). Nesse caso, damos parabéns à Toyota por agir rápido e pedir a correção na Fenabrave.

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