VW Gol pode vir a surgir com outro nome, de modo a tentar reanimar seu apelo no mercado
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VW Gol pode vir a surgir com outro nome, de modo a tentar reanimar seu apelo no mercado

To Gol or not to Gol, that’s the question, diria Shakespeare se presidente da Volkswagen fosse. Esse é o dilema de Hamlet que Pablo Di Si ocupa atualmente no cargo de presidente e CEO da Volkswagen América Latina. O dilema hamletiano existe porque o mundo no qual o Gol reinou por 27 anos não existe mais. Por isso, por mais incrível que pareça para as gerações mais velhas, a Volkswagen do Brasil pode, sim, colocar um ponto final na história do VW Gol.

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O carro ainda vende bem. Em 2019, ele ficou em quinto lugar no ranking geral de vendas, à frente até do VW Polo , com 81.285 emplacamentos. Porém, a maior parte dessas vendas foi feita para empresas ou motoristas de aplicativo. Foram 54.426 negócios nesse formato, ou seja, 67%. Para os jovens consumidores, cada vez mais reticentes a aplicar sua ainda pequena poupança em um automóvel, o Gol não significa muita coisa. Afinal, os anos de glória do VW Gol foram os anos 80, 90 e 2000.

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Origens de longa data

Volkswagen Gol GTI: Quando o hatch mostrou, em 1988, o que era ser um esportivo de verdade
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Volkswagen Gol GTI: Quando o hatch mostrou, em 1988, o que era ser um esportivo de verdade

Já nos anos 80 o Gol se estabeleceu como um grande carro. No final de 1988, quando ganhou a versão GTI, com motor 2.0 e calibração esportiva, o Gol virou mito. Passaram-se 27 anos até que em 2014 (depois que o Gol G4 foi aposentado por causa da exigência de airbags e freios com ABS) o Fiat Palio finalmente terminou o ano como campeão de vendas. Mas, a partir de 2015, só deu Chevrolet Onix em primeiro lugar. O Gol afundou mais ainda quando a Volks decidiu apostar no sucesso do Up, mas logo se arrependeu e o Gol voltou a crescer no mercado -- mas muito à custa das vendas diretas.

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Hoje o Gol é um carro sem emoção. Um carro prático, que entrega bom custo-benefício para um determinado tipo de usuário. Mas os menos de 27 mil clientes que compraram o Gol para uso pessoal talvez sejam pouco para as ambições da nova Volkswagen. O Gol, para grande parte da empresa, representa o passado. E a VW quer olhar para o futuro, com um logotipo minimalista, mas muito conteúdo digital e bons níveis de eficiência nos motores.

Será que os novos consumidores ainda seriam seduzidos pela ideia de um novo VW Gol ? Ou será que é mais fácil convencer esse público a comprar um carro com um nome diferente? Nada está decidido ainda. Ao longo deste ano, a Volkswagen anunciará seu próximo ciclo de investimentos, de 2021 a 2025. Aí sim começará a ficar mais perto o dia da decisão: to Gol or not to Gol? Manter o Gol ou matar o Gol? Uma questão que certamente até Hamlet teria dificuldades para responder.

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