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Versão esportivada mostra todas as qualidades do compacto. Confira nossas primeiras impressões do novo hatch compacto da marca italiana

Fiat Argo HGT 1.8 é a versão topo de linha do novo hatch, rival de Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e companhia
Divulgação/Fiat-Chrysler Automóveis
Fiat Argo HGT 1.8 é a versão topo de linha do novo hatch, rival de Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e companhia

O Argo é um símbolo para a Fiat. Deixada de lado pelo grupo Fiat-Chrysler, que investia pesado na Jeep (principalmente no Brasil), o novo hatchback representa um novo futuro para a marca italiana.  A fabricante precisava de um produto forte, capaz de brigar com os líderes Chevrolet Onix e Hyundai HB20, e que recuperasse a participação de mercado no segmento de automóveis. Se depender do que senti ao guiar o Fiat Argo HGT 1.8, irá cumprir essa missão. Custa R$ 64.600 na versão manual e R$ 70.600 com câmbio automático de seis marchas.

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Com uma pegada mais esportiva, tanto no design quanto na dinâmica, o Fiat Argo HGT 1.8 resgata o velho nome HGT (High Gran Turismo), usado antigamente em carros como o hatch Brava. Não é um esportivo de verdade, já que não há uma preparação de verdade. Está mais para um esportivado, mas que teve alguns ajustes mecânicos.

Dividindo opiniões, o Argo mostra a nova identidade da Fiat. Foi baseado na nova geração do Tipo, vendida no resto do mundo e que chegou a ser cogitado para cá. Como ficaria muito caro, resolveram desenvolver um produto próprio. A plataforma MP1 é nova, de montagem modular, o que permite seu uso em outros modelos (como o futuro sedã, até o momento conhecido como X6S). Foi inspirada na base do Punto, mas tem apenas 20% de componentes iguais, o resto é exclusivo.

Falando no Punto, ele serviu de guia para o desenvolvimento do Argo . “Quando falamos de hatches, abaixo dos médios, e que são bons de dirigir, sempre falam em dois: Punto e Polo”, diz um engenheiro da Fiat. “Queremos que o Argo seja a nova referência do nosso lado”. Uma responsabilidade grande, pois o compacto é referência mundial e, mesmo com a idade, ainda tem muitos fãs no Brasil.

Olharam para o Tipo em busca de inspiração no design. Na verdade, é quase uma cópia do modelo europeu. Tem faróis mais longos e o para-choque frontal tem um desenho diferente. A grade, de cara, lembra o Mobi, que já foi baseado nessa nova identidade. Toda a frente é bem curta. A traseira muda ainda mais em relação ao Tipo, com novas lanternas que crescem para a tampa do porta-malas (o europeu tem um formato em V deitado). O logo da marca, na traseira, é grande e formado apelas pelas letras. O para-choque traseiro tem luzes de posição que formam arcos.

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É um visual que irá gerar muita discussão, principalmente por cada um encontrar elementos de outros carros. Logo quando divulgaram as primeiras imagens, algumas pessoas já diziam que a traseira parece do Gol (pelo caimento do teto) ou HB20, enquanto a frente lembra um Mobi maior. Teve quem comparasse a frente com a do Kia Cerato. Seja como for, acredite: É mais bonito ao vivo.

Essa versão é equipada exclusivamente com o motor 1.8 e.TorQ EVO. Sim, é o mesmo 1.8 da picape Toro e de tantos outros carros da Fiat . Tem as melhorias vistas no Jeep Renegade, como o sistema de partida a frio sem tanquinho e coletor de admissão varável. Gera 139 cv a  e 19,3 kgfm de torque a 3.750 giros, com etanol. Pode ser combinado ao câmbio manual de cinco marchas, ou automático de seis.

Novo paradigma

Painel do Argo HGT vem com a parte central pintada de vermelho entre os principais detalhes exclusivos
Divulgação/Fiat-Chrysler Automóveis
Painel do Argo HGT vem com a parte central pintada de vermelho entre os principais detalhes exclusivos

Entrar no Argo é encontrar um mundo diferente, até mesmo para a Fiat. Está mais próximo da picape Toro do que para o subcompacto Mobi, pelo cuidado nos acabamento. Não há um pedaço que tenha uma ponta pulando para fora ou falhas no encaixe das peças, até mesmo nos lugares mais traiçoeiros. O desenho da cabine tem boa harmonia e usa bem os materiais, com plástico de toque suave. No HGT, ainda há uma peça vermelha entre a central multimídia e o ar-condicionado, que dá um aspecto interessante ao hatch.

Versão topo de linha, o Argo HGT impressiona pela quantidade de equipamentos. Vem com ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, direção elétrica progressiva, ancoragem ISOFIX para cadeirinhas infantis, controle eletrônico de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, Start-stop, monitoramento de pressão dos pneus, central multimídia uConnect Touch com tela sensível ao toque de 7 polegadas, travas elétricas, vidros elétricos, volante multifuncional com acabamento em couro e regulagem de altura e profundidade, retrovisores elétricos com função tilt-down, alarme antifurto, faróis de neblina, faróis com luz de posição em LED, rodas de liga leve de 16 polegadas, banco traseiro bipartido e computador de bordo com tela TFT de 7 polegadas.

A frente com pegada esportiva do Argo HGT 1.8
Divulgação/Fiat-Chrysler Automóveis
A frente com pegada esportiva do Argo HGT 1.8

A versão HGT conta também com defletores de ar no para-choque, grade dianteira inferior com acabamento vermelho e moldura preta sobre as caixas de rodas e na lateral. Ainda tem quatro pacotes opcionais: Airbags laterais; ar-condicionado digital, rebatimento de retrovisores, sistema keyless de partida por botão, sensor de chuva, sensor crepuscular e retrovisor eletrocrômico. Por fim, também há um pacote com bancos de couro e rodas de liga leve de 17 polegadas.

Dois destaques, para quem gosta de tecnologia, são as telas do carro. O console de instrumentos tem uma grande tela de 7 polegadas de alta definição, com a função de computador de bordo. É o tipo de equipamento que só encontramos em modelos mais caros. As versões mais baratas trazem uma tela menor, de 3,5 polegadas, que também é utilizada no Mobi Drive, Uno e Toro.

Já a central multimídia uConnect Touch é uma evolução mais do que necessária. Também com tela de 7 polegadas de alta definição, é rápida e com comandos bem intuitivos – um alento, pois o sistema dos outros carros da Fiat tem um problema sério de acessibilidade. Como está em um tipo de tablet, que salta para fora do painel, não fica tão longe quanto alguns sistemas. Vem com Apple CarPlay e Android Auto, reproduzindo músicas e utilizando os aplicativos disponíveis. Conta até com comandos por voz. Uma má notícia é a falta de um GPS próprio, obrigando o condutor a usar o Google Maps ou Apple Maps.

Boa impressão

Rodas de aro 17, defletor de ar na traseira e cores vivas fazem parte do visual do Argo HGT 1.8 Flex
Divulgação/Fiat-Chrysler Automóveis
Rodas de aro 17, defletor de ar na traseira e cores vivas fazem parte do visual do Argo HGT 1.8 Flex

O objetivo declarado do Fiat Argo é bater Chevrolet Onix e Hyundai HB20. Tanto é que usaram os rivais como comparação. O novo hatch tem 4,00 metros de comprimento, 1,75 m de largura e 2,52 de entre-eixos. Só perde em entre-eixos para o Onix, que é 8 milímetros maior. Só que o Argo é 67 mm mais longo. Também é 45 mm mais largo. Mediram até o índice de volume do habitáculo, de 2.806 litros no Argo. O Onix tem 2.740 litros. O HB20 é menor em tudo, exceto no porta-malas, de 300 l, mesma medida que o compacto da Fiat.

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Basta entrar no carro para notar que realmente é mais espaçoso, a ponto de virar um problema para o Renault Sandero (procurado por ser um hatch com muito espaço interno). Tiveram até o cuidado de colocar um recuo no teto, para aumentar o vão livre e evitar cabeças raspando ou batendo. Leva cinco adultos com facilidade.

O primeiro contato com o Argo foi no Autódromo Fazenda Capuava, no interior paulista. A Fiat disponibilizou apenas o HGT 1.8, nas versões manuais e automática. Fui primeiro para o modelo com pedal de embreagem. Metade do circuito estava fechado para fazer fotos e para o teste de estabilidade. Ajusto  a posição de dirigir e noto que as regulagens são boas o suficiente para me sentir confortável.

Câmbio de seis marchas é o mesmo da picape Toro
Divulgação/Fiat-Chrysler Automóveis
Câmbio de seis marchas é o mesmo da picape Toro

Engato a primeira e encontro a primeira decepção. A Fiat sempre teve um problema, usando uma alavanca de câmbio com engates longos e molengas. Continua assim no Argo, embora o desconforto tenha diminuído pelas melhorias. Merecia uma transmissão melhor, de curso um pouco mais curto. Não precisa ser como um esportivo, porém poderiam se espelhar na qualidade dos vários rivais do segmento.

Acelero e, logo na primeira curva, o Argo mostra para que veio. Estável, faz a transição entre uma descida para a subida em S com confiança. Falta um pouco de motor, mostrando a idade do velho 1.8 que a Fiat usa há anos. Continuo com uma pegada esportiva e o hatch responde bem. O escalonamento das marchas permite a tocada mais forte. Segundo os engenheiros, o HGT tem alguns ajustes especiais na suspensão e no controle de estabilidade.

Logo chego na reta que marca o final do percurso. Aproveito para quase parar e, logo em seguida, acelerar com tudo. Embora a Fiat diga que acelera de 0 a 100 km/h em 9,2 segundos e alcança 192 km/h, fica a impressão de que poderia ser mais rápido. Faltou o motor 1.3 turbo para dar uma sensação mais próxima de esportivo.

Posição de dirigir pode ser facilmente ajustada
Divulgação/Fiat-Chrysler Automóveis
Posição de dirigir pode ser facilmente ajustada

Inicio outra volta, desta vez com mais calma, imitando a condução civilizada do dia-a-dia. O nível de ruído na cabine é muito baixo, tornando a experiência bem agradável. Claro, como estava em uma pista, a asfalto é de qualidade e não havia o barulho vindo das irregularidades. Andando em baixa rotação, o Argo HGT mostrou-se muito tranquilo, embora sempre com a sensação de quem pode andar mais. A suspensão mais dura da versão HGT agrada (pelo menos no circuito), sem ser molenga como no Palio.

Troco pelo HGT automático. O câmbio de seis marchas é o mesmo utilizado nas versões intermediárias da picape Toro. Tem um ajuste um pouco mais esportivo do que veremos no modelo Precision 1.8, só que ainda voltado para economia de combustível. Para andar mais rápido, é melhor fazer trocas manuais pelas aletas atrás do volante. Se deixar para o sistema cuidar das trocas, ele irá hesitar bastante nas reduções.

O que complica a vida do Fiat Argo HGT 1.8 é seu consumo. Segundo o Inmetro, a versão manual faz 11,4 km/l na cidade e 13,3 km/l na estrada, com gasolina. Se trocar pelo câmbio automático, faz 10 km/l e 12,8 km/l, respectivamente. Parece bom, mas recebe nota B no Argo manual e D no automático. Sem os ajustes do HGT, o Precision 1.8 tem nota A (manual) e C (automático). Outro problema é que nasce com grande chance de mudar no futuro, já que a Fiat confirma o plano de lançar uma versão turbo dos motores 1.0 e 1.3 Firefly – este último aposentaria o 1.8. Ainda assim, o Argo mostra ter muitas qualidades e um esportivado que faz mais do que a concorrência, que só se veste de esportivo. 

Saiba mais sobre o assunto do vídeo abaixo: participamos de um rali de regularidade


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