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Jipe é um dos poucos modelos com marca brasileira no País. Saiba detalhes sobre a nova fase da fabricante no mercado de modelos fora-de-estrada

Tac Stark: estilo se mantém o mesmo da versão original, exceto por detalhes, com as novas cores da carroceria
Guilherme Menezes/iG
Tac Stark: estilo se mantém o mesmo da versão original, exceto por detalhes, com as novas cores da carroceria

O Se um dia já tivemos marcas como a Gurgel, JPX, Miura, PAG, Lobini, FNM e a “doida” da Hofstetter (com seu modelo que parecia vir de outra dimensão), hoje restam apenas as diversas fábricas de Bugues, a Troller (com o jipe off-road T4) e, ressurgindo das cinzas, a Puma (com o seu esportivo GT Lumimari) e ele, o Tac Stark, o jipe off-road da Tac Motors.

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Quanto a este último, trata-se de uma empresa catarinense com sede em Sobral, no Ceará. Tudo começou em 2004, quando surgiu através de uma iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) e do governo de Santa Catarina. Então, com a sede na cidade de Joinville, construiu o protótipo que faria o primeiro contato entre o Tac Stark e o público, no Salão do Automóvel de São Paulo em 2006.

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Estepe na traseira, pneus para off-road e dois amortecedores em cada roda para enfrentar trilhas pesadas
Guilherme Menezes/iG
Estepe na traseira, pneus para off-road e dois amortecedores em cada roda para enfrentar trilhas pesadas

Em 2009, após 5 anos de desenvolvimento, a empresa iniciou a produção para as vendas do Stark. Entretanto, negociações com o governador do Ceará da época, Cid Gomes, fizeram com que a fábrica se mudasse para a cidade de Sobral no ano de 2012. Com justificativa de que seu maior público alvo seria o da região nordeste, o governo do Ceará investiu cerca de R$ 30 milhões, através da Agência de Desenvolvimento do Ceará (ADECE), adquirindo naquele ano 15% da empresa. Junto a isso tudo, anunciaram a produção de uma versão militar, o Stark IRV.

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Entretanto, ainda em meados de 2013, com o aperto da crise financeira (que se agravou em 2014 e 2015) e o encerramento das negociações da montadora chinesa Zotye - que também iniciaria suas atividades no Brasil na época, com uma sede na cidade de Pecém (Ceará), mas foi legalmente impedida de fazer parte da composição societária da unidade no País - acabou por permanecer com as portas fechadas. E então, em 2018, eis que suas atividades foram retomadas.

Início de uma nova era?

Interior simples,  vem com componentes vindos da Fiat, assim com o motor 2.3, turbodiesel, que é importado
Guilherme Menezes/iG
Interior simples, vem com componentes vindos da Fiat, assim com o motor 2.3, turbodiesel, que é importado

Sob olhares otimistas, sim. Cada cliente configura o carro ao próprio gosto, a planta de Sobral conta hoje com cerca de 30 funcionários e, até o fim do ano, a marca projeta contar com 50. Além disso, de todos os 217 Stark vendidos desde 2009, 100 foram só no ano de 2018 e, também, planejam investir R$ 150 milhões até 2022, com expectativas voltadas a uma nova variação mecânica, com motor flex e câmbio automático (atualmente só há um diesel com câmbio manual).

Isso sem falar que, segundo declara o fundador e presidente da Tac Motors, Neimar Braga, cada vez mais a empresa investe para a criação de mais “Stark Points” pelo Brasil - locais em São Paulo (2) e Minas Gerais (1) que reúnem apaixonados por off-road, proprietários do modelo ou não, para treinamentos, confraternização e outros eventos - nos serviços pós venda - que inclui cobertura de manutenção com assistência técnica, onde quer que o cliente esteja - e que, em relação aos Stark antes do encerramento das atividades, o seu sistema de suspensão foi recalibrado, bem como seus pontos estruturais receberam mais robustez.

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Diversidade de cores é o que não falta ao jipe nacional que inicia uma nova fase no País
Guilherme Menezes/iG
Diversidade de cores é o que não falta ao jipe nacional que inicia uma nova fase no País

E, de fato, o carro promete um bom desempenho nas trilhas. Conta com estrutura tubular em aço carbono, célula de proteção, suspensão com duplo amortecimento nas quatro rodas - com altura livre do solo que varia de 260 mm a 320 mm, com capacidade de 500 mm de travessia sobre a água, 49 graus de ângulo de ataque e 44 graus de ângulo de saída - motor Fiat 2.3 Turbo Diesel Intercooler de 127 cv e 32 kgfm, caixa de câmbio manual Eaton de 5 marchas, diferenciais Borg Warner e diferenciais Dana. Além disso, sua carroceria de fibra confere um peso total reduzido aos 1.710 kg e, como tudo o que é feito neste material, é de fácil reparo.

Segundo o presidente da marca, apesar dos atributos voltados fortemente ao uso fora de estrada, também é bastante eficaz em ambiente urbano. Inclusive, conta com uma central multimídia que promete “quebrar” um pouco com os ares aventureiros e oferecer mais comodidade.

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Entretanto, apesar da proposta de nicho, seus R$ 115.000 - que podem atingir os R$ 130.000 com a adição de equipamentos como: pára-choques metálicos, guincho embutido, snorkel, rack bagageiro, bloqueio de diferenciais dianteiro e traseiro, homocinéticas mais resistentes, faróis de LED e diferentes configurações de rodas e pneus (que podem ser de 15, 16 ou 17 polegadas) - podem não facilitar a sua atratividade, uma vez que o Troller T4 - outro dos poucos brasileiros que remanescem no mercado - conta com o apoio financeiro e de engenharia da Ford, uma fabricante de grande porte.

Troller T4: O maior e lamacento pesadelo

Troller T4: Um dos jipes mais conhecidos pela sua baixíssima capacidade de levar desaforo para casa
Divulgação
Troller T4: Um dos jipes mais conhecidos pela sua baixíssima capacidade de levar desaforo para casa

O jipe brasileiro já é tradicional e conhecido no mercado, evidente pela legião de proprietários e o seu tempo de “casa”, desde 1995. Além disso, com a compra da Ford em 2009, o T4 passou a receber a mecânica que equipa a picape Ranger. Hoje, vendido a R$ 128.990, ele conta com um motor 3.2 diesel, com 200 cv e 48 kgfm e câmbio manual de seis marchas.

Tal como o Tac Stark , também fabricado no Ceará, na cidade de Horizonte. Tem como itens de comodidade: ar-condicionado digital de duas zonas, coluna de direção com ajuste de altura, computador de bordo com medidor de consumo, som com Bluetooth e USB, e cinco saídas de ar. Sua capacidade de enfrentar alagamentos é de 800 mm e conta com 51 graus nos ângulos de ataque e saída. Como opcional, os pneus lameiros All Terrain e Mud Terrain.

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