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Com 170 cv de potência e câmbio automático CVT, SUV ainda se destaca no ranking das vendas, apesar de ter recebido poucas mudanças em 8 anos

Mitsubishi ASX:  linha 2018 resiste ao tempo tentando se aproximar da nova identidade visual da marca japonesa
Carlos Guimarães/iG
Mitsubishi ASX: linha 2018 resiste ao tempo tentando se aproximar da nova identidade visual da marca japonesa

Para entender o Mitsubishi ASX, precisamos passar um pente fino sobre o segmento de SUVs compactos e médios nos últimos oito anos. Em 2010, a categoria ainda não ostentava a maturidade dos dias de hoje. Tínhamos apenas EcoSport e Tracker entre os compactos, enquanto algumas marcas apostavam em produtos um pouco mais rebuscados. Foi o caso da Hyundai CAOA, que trouxe o ix35 que anos depois seria nacionalizado.

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Na mesma onda, surgiram Kia Sportage, Volkswagen Tiguan e o próprio Mitsubishi ASX como as novas possibilidades da classe média alta - acostumada com sedãs e hatches médios - finalmente andar de SUV. Eis que chega o grande problema. Como a evolução abrupta do mercado, estes carros envelheceram muito rápido e ficaram perdidos no limbo de um segmento quase esquecido.

Entre 2014 e 2016, chegaram os novos SUVs compactos como HR-V, Creta, Renegade e Kicks. Em seguida veio o Compass, dominando a categoria dos modelos médios. Sportage e Tiguan foram completamente renovados em seu tempo, deixando os utilitários de Mitsubishi e Hyundai em suas gerações de sete anos atrás.

Por serem as primeiras apostas da nova onda dos SUVs, eles ficaram defasados. Mas isso não abalou o ranking de vendas entre eles. O Mitsubishi ASX, por exemplo, vendeu pouco mais de 2,5 mil unidades entre janeiro e maio de 2018. O suficiente para ficar à frente de Sportage e Tucson, conforme o levantamento da Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos).

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Bem, posso dizer que já tinha boa impressão do ASX, mesmo sem ter dirigido na cidade. Há alguns meses, estive no Autódromo Velo Città para uma experiência off-road com o SUV da Mitsubishi no quintal do “dono”. Deu para comprovar que o modelo é chegado em uma estrada de terra, e aprendeu muito com as experiências da marca nos ralis.

Algumas fabricantes podem se orgulhar do que a engenharia proporciona ao desempenho de seus carros num cenário, digamos, 4x4. A Mitsubishi, por exemplo, dispensa apresentações. Foram anos de experiência no Rally Dakar, e a marca fez questão de mostrar - ou ostentar - o sucesso do passado.O ASX encarou o traçado off-road sem qualquer dificuldade. Claro, outros SUVs compactos também seriam capazes, mas o japonês fabricado em Catalão (GO) conseguiu fazer isso com extremo conforto.

A Mitsubishi preparou um acerto especial para o modo 4x4 de sua linha de SUVs. Você não encontrará o mesmo esquema, por exemplo, na picape L200 ou no esportivo Lancer Evo. A força é distribuída automaticamente entre os eixos, mas o motorista poderá travar a tração e equilibrar a força entre frente e traseira em 50%.

Motor 2.0 é flex, mas consumo fica acima do ideal. Na cidade, faz 6,9 km/l de etanol, diz o Inmetro
Carlos Guimarães/iG
Motor 2.0 é flex, mas consumo fica acima do ideal. Na cidade, faz 6,9 km/l de etanol, diz o Inmetro

O modelo encabeça a lista de recomendações para quem curte o interior no fim de semana. Dependendo das características das estradas ao redor de uma chácara, por exemplo, as condições podem ser sofríveis. Se choveu e a via for uma rota constante de caminhões, dá para passar maus bocados com os atoleiros. Isso não será um problema com o ASX, com tração integral.

A selva que o ASX enfrentará hoje é de pedra. O SUV já mostrou seus valores na hora de encarar o caminho para o sítio no fim de semana, mas isso não é suficiente para uma família. Ele precisa mostrar do que é capaz no asfalto irregular de São Paulo, no caminho de casa para o trabalho.

Legado

Apesar de bem equipado, o ASX já pede mudanças no interior que é praticamente o mesmo desde o lançamento, em 2010
Fabio Bustamante
Apesar de bem equipado, o ASX já pede mudanças no interior que é praticamente o mesmo desde o lançamento, em 2010

O fato do SUV ainda estar sujo de terra faz lembrar da experiência no off-road. Andando com o ASX na cidade, as boas impressões continuam. Posição de dirigir, estabilidade, conforto interno e isolamento acústico... Ele não fica devendo em nenhum desses tópicos para as versões mais caras de HR-V, Kicks e Creta. O acabamento interno não é dos melhores, pecando na falta de variedade, mas os materiais são de boa qualidade.

O carro é  bem montado, evitando qualquer impressão de fragilidade. Remete bastante ao sedã Lancer, com seu estilo mais despojado e esportivo. Não adianta colocar imitações de aço escovado, ou apliques em preto brilhante, se o acabamento não for de qualidade. Com o tempo, o desgaste é inevitável. O Mitsubishi faz apenas o simples, e convence. Apesar disso, os assentos poderiam ser mais macios e confortáveis.

Enquanto levava o SUV para a nossa redação, surgiu uma notificação no computador de bordo indicando que um dos pneus estava com nível baixo. O dispositivo também não indica qual o pneu específico. Uma parada no posto para calibrar todas as rodas conforme as instruções da fabricante e mesmo assim o alerta não sumiu da tela. Esta unidade específica é utilizada como carro de apoio nos ralis da Mitsubishi, o que poderia justificar um pequeno erro de leitura.

Antes de andar no ASX, já havia tido a oportunidade de dirigir o Lancer com mesmo motor e câmbio. Todas as boas características do sedã voltam a aparecer no SUV. A fabricante diz que a caixa CVT tem menor escorregamento, garantindo respostas mais rápidas e menos ruído interno. Também é interessante notar que as aletas atrás do volante para trocas sequenciais têm o mesmo design do Lancer Evo. No esportivo, entretanto, elas são de alumínio, aparecendo em plástico no ASX.

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Conclusão

O SUV tem bom desempenho, mas a posição de dirigir é bem alta e câmbio CVT prioriza o conforto ao rodar
Fabio Bustamante
O SUV tem bom desempenho, mas a posição de dirigir é bem alta e câmbio CVT prioriza o conforto ao rodar

O motor 2.0 flex desenvolve 170 cv e 23 kgfm de torque quando abastecido com etanol - que era o caso do modelo que testamos. Com disposição, o ASX consegue ganhar velocidade sem sufoco, garantindo segurança até mesmo em ultrapassagens. De acordo com a marca, o SUV pode acelerar de 0 a 100 km/h em 11,5 segundos. Ele acaba pecando no consumo de combustível, aferindo 6,9 km/l na cidade e 9,1 km/l na estrada com etanol, e 9,8 km/l na cidade e 12,6 km/l na estrada com gasolina, conforme o Inmetro.

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Apesar do tempo, o Mitsubishi ASX persiste. Polivalente, o modelo parte de R$ 113.990, com a maturidade de um SUV contemporâneo. A próxima geração do modelo já está nos planos mundiais da marca, ainda sem data para estrear, mas já sabemos de alguns detalhes. Ele ficará menor e mais barato, para competir diretamente com Hyundai Creta, Nissan Kicks e Honda HR-V. Para o segmento de SUVs médios, a Mitsubishi já prepara o Eclipse Cross que estará no Brasil até o início de 2019. Confira a ficha técnica abaixo.

Ficha Técnica:

Preço: R$ 113.990 
Motor: 2.0, quatro cilindros, flex 
Potência: 140 cv  
Torque: 23,1 kgfm 
Transmissão: CVT, de seis marchas 
Suspensão: independente McPherson (dianteira), multibraço (traseira) 
Freios: disco ventilado (dianteira), disco sólido (traseira) 
Pneus: 225/55 R18 
Dimensões: 4,3 (comprimento), 1,8 (largura), 1,6 (altura), 2,6 m (entre-eixos) 
Tanque: 60 litros 
Porta-malas: 415 litros 
Consumo:  10,1 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada, com gasolina 
0 a 100 km/h: 11,6 segundos 
Velocidade máxima: 190 km/h 

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