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Sedã de luxo ganha opção com motor elétrico que ajuda o 1.5 turbo, de quatro cilindros, a economizar combustível em algumas situações

Mercedes C200 EQ Boost tem auxílio de um motor elétrico para aumentar o desempenho e reduzir o consumo do dia a dia
Carlos Guimarães/iG
Mercedes C200 EQ Boost tem auxílio de um motor elétrico para aumentar o desempenho e reduzir o consumo do dia a dia

A Mercedes é conhecida por suas ideias avançadas quando o assunto é engenharia automotiva, algumas delas patenteadas. Mas, dessa vez, não consegui encontrar vantagem no projeto do Mercedes C200 EQ Boost (R$ 228.900) principalmente quando comparado à versão mais em conta do Classe C, a C180 (R$ 187.900). Já começa com a diferença de R$ 41 mil entre ambas.

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Com o Mercedes C200 EQ Boost, a marca alemã pensou em um sedã que procura aliar bom desempenho com baixo consumo. Isso com ajuda de um motor elétrico, de 13,5 cv acoplado por correia ao virabrequim do 1.5, a combustão. Ele dá um impulso em baixas rotações e ajuda a vencer a inércia, poupando gasolina. Algo engenhoso, não? Porém, na prática, o custo final não parece compensar.

Claro, é de se admirar que um pequeno motor 1.5 consiga ter bons 28,5 kgfm de torque com o "empurrão" do elétrico. É força suficiente para acelerar de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos, de acordo com a fabricante. Nada mau. O que não empolga muito é a questão do consumo, que acaba criando uma certa expectativa ao saber que você está ao volante de um sedã "quase híbrido".

 Confesso que fiquei bem atento ao funcionamento do sistema pelo novo cluster digital, que inclui um gráfico para mostrar quando as baterias estão sendo recarregadas e os momentos em que o motor elétrico está em ação. Pelo o que consegui notar, o impulso do elétrico aparece apenas em breves instantes, quando o carro parte da imobilidade, ou em baixa velocidade. Esperava mais para economizar gasolina.

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Modo ecológico selecionado, dirigindo com cuidado, pisando de leve no acelerador, enfrentamos o trânsito pesado de São Paulo de olho no computador de bordo pela bela tela de alta resolução, de 10,3 polegadas. Aliás, tanto o sistema multimídia quando a funcionalidade do sistema melhoram bem na comparação com o C180 , mas pelos estilosos gráficos de consumo o máximo que conseguimos de média, na cidade, foi de 9,5 km/l, ante 10,2 km/l divulgados pelo Inmetro, que também diz que o C180 é capaz de fazer 10,3 km/l nas mesmas situações.

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Ok, o C200 EQ Boost ficou mais sofisticado com o novo cluster digital e o moderno sistema multimídia, mas bem que poderia ser mais econômico. Na estrada, o Inmetro diz que a nova versão do sedã da Mercedes atinge 13,6 km/l, mas o C180 vai além, com 14,5 km/l e um tanque maior, de 66 litros, ante o de apenas 41 litros do modelo com motor elétrico, que serve de auxiliar. Com isso, a novidade também perde feio em autonomia (557 km do C200 ante 957 km do C180).  

Acelerando com conforto o C200 EQ Boost

Novo Mercedes C200 EQ Boost tem novo cluster digital e tela de alta resolução, de 10,3 polegadas, além de novo volante
Divulgação
Novo Mercedes C200 EQ Boost tem novo cluster digital e tela de alta resolução, de 10,3 polegadas, além de novo volante

 Então, se não adianta insistir em economizar muito combustível, o jeito foi acelerar. E o carro respondeu bem, ajudado pela tração traseira, que não deixa a frente "passarinhando" ao pisar mais forte no pedal da direita. Existem hastes atrás do novo volante de três raios para trocar as 9 marchas do câmbio automático, o que também ajuda numa tocada mais animada em uma estrada sinisosa, por exemplo. 

Entretanto, o sedã C200 EQ Boost não tem jeito de esportivo. Vem com rodas de aro 17 montadas em pneus 225/45R e alguns cromados, tanto por fora quanto por dentro, caracterizando um visual bem comportado e elegante. No exterior, chamam atenção os novos faróis de LED e os retrovisores externos recolhidos eletricamente, seja ao travar as portas por controle remoto ou pelo botão bem localizado na porta do motorista. 

Mas é interiormente que o carro mais agrada. Não apenas pelo novo multimídia e por causa do cluster digital, mas também pelo acabamento caprichado, com detalhes e alumínio escovado nas laterais das portas. Toda iluminação à noite, dos principais comandos, foi bem pensada. Além disso, cinco pessoas viajam com conforto, sem aperto, inclusive suas bagagens no porta-malas de 435 litros, acarpetado até no interior da tampa e com boa abertura automática, inclusive, à distância. 

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Os novos botões do volante de três raios também fazem parte dos pontos positivos do C200 EQ Boost, bem como o rodar confortável, que consegue absorver bem as irregularidades do piso e manter boa estabilidade nas curvas. Os acertos dos sistemas de direção e freios são outros que merecem elogios. Mesmo assim, não vi vantagem em levar essa nova versão do Classe C no lugar do mais simples C180, principalmente pela diferença de preço e pelo consumo que poderia ser menor no modelo mais que custa mais. 

Conclusão

 Apesar de ter evoluído em relação ao C180, o Mercedes C200 EQ Boost ficou caro demais e decepcionou na questão do consumo em se tratando de um modelo que conta com motor elétrico, o que acaba o caracterizando como híbrido no documento. Assim, o modelo fica isento do rodízio municipal de veículos em vigor na cidade de São Paulo. 

Mas, se por um lado o carro poderia ser mais econômico, de outro não deixa de ser um belo sedã, confortável, espaçoso, bem equipado, seguro e bom de dirigir no dia a dia, tanto na cidade quanto na estrada.

Ficha Técnica

Preço: a partir de R$ 228.900

Motor: 1.5, quatro cilindros, gasolina, 

Potência: 183 cv a 5.800 rpm

Torque: 28,5 kgfm a  2.000 rpm

Transmissão:  Automático, 9 marchas, tração traseira

Suspensão:Independente (dianteira) / multibraço (traseira)

Freios: Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira

Pneus: 225/45 R17

Dimensões: 4,69 m (comprimento) / 1,81 m (largura) / 1,44 m (altura), 2,84 m (entre-eixos)

Tanque: 41 litros

Consumo: 10,2 km/l (cidade) /13,6 km/l (estrada) com gasolina

0 a 100 km/h: 7,7 segundos 

Vel. Max: 239 km/h    

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