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Cupê esportivo de 400 cv é pura irreverência em vários aspectos. Se pisar fundo, pode acelerar de 0 a 100 km/h em meros 3,7 segundos

Audi TT RS pintado de Laranja County se recusa a ser algo comum. Além disso, chama atenção e acelera como supercarro
Carlos Guimarães/iG
Audi TT RS pintado de Laranja County se recusa a ser algo comum. Além disso, chama atenção e acelera como supercarro

Não adianta o dono da Tesla, Elon Musk, ou qualquer outro executivo que for lançar um esportivo elétrico tentar convencer os entusiastas que o prazer em dirigir não acabará. Só depois de passar alguns dias com carros como o Audi TT RS é que você tem certeza que vai sentir saudades dos motores a combustão.

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Duvido que consigam produzir algum efeito sonoro com ajuda da eletrônica que chegue perto do ronco desse Audi TT RS (R$ 424.990). O pequeno cupê é pura irreverência, até pelas cores chamativas da carroceria, o que também faz parte do show desse menino rebelde contra a ditatura do preto, prata e branco que prevalece nas ruas hoje em dia.

A unidade que avaliamos estava pintada de Orange County (Laranja). E se recusa ser algo comum no meio da multidão. O problema é que toda essa rebeldia não é compatível com as ruas esburacadas do trânsito do dia a dia. O habitat natural do TT RS é uma boa pista de corrida, ou estradas bem asfaltadas, contanto que quem estiver ao volante tenha o mínimo de juízo.

 Estamos falando de um cupê compacto de 400 cv, potência extraída do motor 2.5, de cinco cilindros, sobrealimentado, capaz de girar até 7.000 rpm. Além disso, tem força de supercarro dos anos 90. São nada menos que 48,5 kgfm de torque a meros 1.700 rpm. E tudo isso é transmitido para as quatro rodas pelo engenhoso sistema de tração Quattro , desenvolvido nas pistas e consagrado nas provas de rali.

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Acelerando o Audi TT RS

Volante do Audi TT RS é inspirado nos modelos de competição. Para dar a partida, aperte o botão vermelho
Carlos Guimarães/iG
Volante do Audi TT RS é inspirado nos modelos de competição. Para dar a partida, aperte o botão vermelho

Com o controle de largada, o TT RS já deixa claro do que pode fazer. Em menos de 4,3,2 1....O carro atinge 100 km/h tirando fôlego dos seus pulmões. Antes de partir, o som borbulhante do motor mexe com seus instintos, uma prova de que saber controlar a dose de adrenalina nas veias é fundamental. Se estiver em pista fechada e continuar acelerando, trocando as marchas pelas hastes do volante, dá para chegar nos 280 km/h.

Para quem for acelerar o TT RS na pista, o carro empolga. O sistema de suspensão controlado eletronicamente, em conjunto com o baixo centro de gravidade, a leveza da carroceria (peso/potência de apenas 3,6 kg/cv), pneus de perfil baixo 245/35R 19, entre outros itens, fazem do cupê alemão um dos mais precisos esportivos hoje em dia. 

Mas, caso ouse a andar com o TT RS no trânsito do dia a dia vai ter que ter bastante cautela não apenas com o piso mal conservado, mas também com obstáculos urbanos, como valetas e lombadas. A suspensão parece ser tratada no concreto (de tão rígida), excelente para contornar curvas, mas péssima para lidar com buracos e ondulações.

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Em contrapartida, se selecionar o modo "Comfort" no volante e deixar o câmbio de dupla embreagem e sete marchas, fazer as trocas sozinho, o TT RS vai procurar manter a compostura na cidade, o que inclui até uma certa cerimônia em gastar gasolina. De acordo com o Inmetro, o carro pode fazer 7,5 km/l em trecho urbano.

Quer um conselho? Esqueça andar no trânsito com o TT RS. Não resta dúvida de que o carro foi feito para as pistas e para quem não precisa levar mais que uma pessoa e, no máximo, duas crianças pequenas atrás. No porta-malas, vão surpreendentes 305 litros, quase o mesmo que um Focus hatch (316 litros).

Audi TT RS tem fibra de carbono no console central. Do lado esquerdo da alavanca, fica o botão mágico que torna ainda mais intenso o ronco do motor
Carlos Guimarães/iG
Audi TT RS tem fibra de carbono no console central. Do lado esquerdo da alavanca, fica o botão mágico que torna ainda mais intenso o ronco do motor

Como não poderia deixar de ser, o interior é caprichado. Os bancos têm regulagem elétrica, além de bons apoios laterais e revestimento de couro com costura aparente. Vistos de frente, os encostos lembram uma naja pronta para dar o bote. Bom também é o revestimento Alcantara no volante de base achatada, no teto e nas laterais das portas sem colunas.

Entre outros itens, o TT RS vem com ar-condicionado digital com comandos nas próprias saídas de ar, além de GPS e sensores nos para-choques e câmera de ré para ajudar nas manobras de estacionamento.

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O foco do carro é desempenho, por isso não há tela no centro do painel. O som é de alta-fidelidade da renomada  Bang & Olufusen, mas vai ter que se contentar com a pequena tela no próprio cluster, junto do contagiros e do velocímetro. Há entrada USB no console central e até disqueteira para CD dentro do porta-luvas. Nada mau, não?

Conclusão

O Audi TT RS é um pequeno cupê esportivo com desempenho de supercarro bem maior (e caro). Mas sua rebeldia não é compativel com o asfalto mal conservado das grandes cidades. Portanto, se sua conta bancária estiver bem recheada e estiver procurando um belo brinquedo para as pistas, eis uma boa opção.

Ficha técnica  
Preço: R$ 424.990 
Motor: 2.5, turbo, gasolina  
Potência: 400 cv a 5.850 rpm  
Torque: 48,9 kgfm a 1.700  
Transmissão: automatizada, dupla embreagem, oito marchas 
Suspensão: Double Wishbone (dianteira), multibraço (traseira)  
Freios: discos ventilados (dianteira e traseira) 
Porta-malas: 305 litros  
Tanque: 55 litros  
Consumo: 7,5 km/l (cidade), 10,3 km/l (estrada)  
0 a 100 km/h: 3,7 segundos  
Vel. Máx: 280 km/h

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