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Marcos Camargo
Ford Ka 100 anos: série limitada vem pintada de Azul Belize com detalhes pretos. Nos para-lamas dianteiras ficam as plaquetas da edição especial

O que é, o que é: um ponto azulado colorindo o trânsito branco, preto e prata? A nova edição comemorativa e limitada do Ford Ka, que chega para assoprar as velinhas dos 100 anos das operações da marca no Brasil. A Ford apostou no pacote equipado com motor 1.5 e câmbio automático, saindo das concessionárias por R$ 65.990. 

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Limitado a mil unidades, o Ford Ka 100 anos baseado na versão SE Plus (R$ 59.990) traz um emblema prateado com a bandeira do Brasil e o número 100. Este mesmo logo também aparece nos encostos de cabeça dos bancos. As rodas de liga leve foram pintadas de preto e a carroceria ganhou tonalidade Azul Belize, exclusiva, que lembra bastante a do emblema da Ford.

Por dentro, o Ka mantém toda a simplicidade de sua construção, ainda que seja bem montado. O painel é revestido em plástico duro com poucas alterações de texturas, que poderiam deixar o interior um pouco mais refinado. Há uma boa central multimídia com sistema Sync 2.5, que tem comportamento rápido e intuitivo. Apesar de não integrar GPS nativo como o Sync 3, o Ka disponibiliza o pareamento do celular via Android Auto e Apple CarPlay. Logo, é possível utilizar Waze e Google Maps.



O Ka continua sendo um pouco mais apertado que os rivais. São apenas 3,94 m de comprimento (ante 4,06 m do Sandero), 1,69 m de largura (ante  1,76 m) e 2,49 m de entre-eixos (ante 2,60 m). Há espaço suficiente para quatro adultos, mas os passageiros do banco traseiro terão seus meniscos esmagados pelo banco da frente. Isso poderia ser corrigido se o Ka tivesse regulagem de profundidade no volante, o que poderia salvar alguns centímetros para quem viaja atrás do motorista.

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O porta-malas também é escasso, com apenas 257 litros. Dessa forma, o Ka não esconde suas características urbanas. Trata-se de um carro para passear pela cidade com a família, com ancoragem Isofix para cadeirinhas de bebê, controle de estabilidade e tração e sistema de chamada de emergência, caso algo se complique no caminho.

Foco na economia

Ford Ka 100 anos arrow-options
Divulgação
No interior do Ford Ka 100 anos há boa posição de dirigir, central multimídia eficiente e filetes azuis entre os detalhe da série limitada


Seu motor 1.5, de 136 cv de potência  e 15,3 kgfm de torque se mostra suficiente quando o motorista está sozinho no carro. Com alguns passageiros, o câmbio automático de seis velocidades parece confuso. Há certa hesitação nas trocas de marcha e o motor tem tendência a procurar rotações mais baixas. Este comportamento, por outro lado, reflete no bom consumo de combustível.

De acordo com o Inmetro, o Ka pode aferir 12,5 km/l na cidade e impressionantes 15 km/l na estrada quando abastecido com combustível fóssil. No etanol, os números vão para 8,4 km/l e 10,3 km/l, respectivamente.

O Ka reafirma suas qualidades, bem ao gosto do brasileiro. Não à toa, o modelo figura entre os três mais vendidos do Brasil há quase três anos. Resta saber se há fôlego para preservar o legado da Ford em seu processo de reestruturação. 

Uma história marcante

Fábrica da Ford arrow-options
Divulgação
Fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (SP) encerrou todas as suas atividades e está à venda atualmente

Achamos válido reservar alguns parágrafos da avaliação para falar sobre a vibrante história da Ford, não apenas no Brasil e Estados Unidos, como em todo o planeta. Henry Ford foi o cara que inaugurou a forma como os carros são produzidos nos dias de hoje; prática que ficou conhecida nos livros de história como “fordismo”.

A ideia de padronizar os princípios de montagem não surgiu da cabeça do executivo, mas ele foi o primeiro a colocá-la em prática. Além disso, Ford decidiu reduzir a carga horária de seus funcionários para melhorar a produtividade e aumentar as vendas.

Na sua mente, se o funcionário estivesse enfurnado na fábrica seis dias por semana, não teria motivos para comprar um de seus carros e viajar com a família. O novo método foi amplamente criticado pelo mercado, como diz o autor holandês Rutger Bregman no livro ‘Utopia para Realistas’, mas todos os rivais acabaram se rendendo à ideia. 

Nas próximas décadas, a Ford Motor Company foi ganhando destaque nos Estados Unidos, sobrevivendo até mesmo à brutal depressão de 1929, com bons resultados. Eis que chega a hora de abrir o leque e expandir os horizontes.

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As primeiras movimentações da Ford do Brasil aconteceram ainda em 1919, quando toda a sua linha de veículos (o automóvel T e o caminhão TT) era importada dos Estados Unidos. As operações começaram num armazém na Praça da República, em São Paulo, passando em seguida para o bairro do Bom Retiro. Tudo isso, 33 anos antes da Volkswagen pensar em trazer o Fusca para o Brasil. Dá para imaginar?

Nos anos 50, o galpão da Ford foi movido para a Vila Prudente (onde hoje há um shopping), e apenas em 1967 foi inaugurada a fábrica de São Bernardo do Campo (SP), que ainda está em operação para algumas atividades administrativas. De lá, saíram os emblemáticos Escort, Corcel, Belina, Verona, Maverick, Fiesta, Courier e tantos outros modelos que encantaram os brasileiros e suas garagens ao longo dos anos.

Gigante adormecida

A Ford sempre esteve entre as “quatro grandes”, ao lado de Fiat, Volkswagen e General Motors. Em 2019, ela foi desbancada pela Renault, caindo para a quinta colocação. De fato, é um momento delicado, no qual a marca perdeu vários modelos de uma só vez, restringindo suas operações ao Ka e EcoSport. A opção de abandonar o segmento dos caminhões também foi determinante para o fechamento definitivo da fábrica de São Bernardo do Campo, concentrando a produção em Camaçari (BA).

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Hoje, a Ford se vê como uma empresa muito mais madura, com capacidade de se adequar às grandes mudanças de paradigmas pelas quais passam a indústria automotiva mundial. Enquanto outras fabricantes ainda apostam em segmentos de volume que nem sempre são lucrativos, a Ford deverá focar em veículos mais rentáveis como SUVs e picapes. O futuro reserva oportunidades brilhantes, e o Mustang Mach-E é a primeira delas. Aguardem os próximos capítulos. 

Ficha técnica

Preço: 65.990

Motor:  1.5, três cilindros, flex

Potência:  136 cv (E) / 128 cv (G) a 6.500 rpm

Torque:  16,1 kgfm (E) / 15,6 kgfm (G) a 4.750 rpm

Transmissão: Automático, seis marchas , tração dianteira

Suspensão: Independente, McPherson (dianteira) / Independente, eixo de torção (traseira)

Freios: Discos ventilados (dianteiros) / tambores (traseiros)

Pneus: 195/55 R15 

Dimensões: 3,94 m (comprimento) / 1,70 m (largura) / 1,52 m (altura), 2,49 m (entre-eixos)

Tanque: 51 litros

Porta-malas: 257 litros 

Consumo gasolina: 11 km/l (cidade) / 14,2 km/l (estrada)

0 a 100 km/h: 10,7 segundos 

Velocidade máxima: 181 km/h 

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