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Cauê Lira/iG Carros
Ford Mustang aposta no novo pacote sombrio "Black Shadow" para comemorar os 55 anos de história

A manhã nublada e tranquila da capital paulista é irrompida pelo som metálico do gargarejo de um motor V8. É possível ouvir este som, rouco como um torcedor do Flamengo após dois títulos no mesmo final de semana, a muitos metros de distância. Imediatamente, todas as cabeças se viram na direção do novo Mustang Black Shadow , um veículo que dispensa apresentações, mas ainda não cansa de surpreender - mesmo quem o conhece tão bem.

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Como um fantasma, o Black Shadow devora o trânsito. Quem se atreve a ficar alguns segundos à sua frente logo dá a seta para a direita e abre caminho. A imponência que este ícone americano tem para reivindicar o seu espaço é, talvez, uma das coisas mais divertidas sobre ele. Mais alguns segundos de silêncio, e o 5.0 V8 da família Coyote volta a rugir.

Com a evolução da engenharia automotiva, os carros estão se tornando cada vez mais conectados, assistentes e tecnológicos. A bela Audi RS4 Avant que tanto amo tem a tração Quattro que praticamente a torna à prova de idiotas. Da mesma forma, o Kia Stinger GT prefere emular o gargarejo do motor cinco cilindros para dentro da cabine, zelando pela redução das emissões sonoras.

O Mustang parece olhar para ambos os casos enquanto pensa: “que se dane”. Ele é muito barulhento (gritando a apenas 40 km/h) e pode ser difícil de controlar em seus modos mais permissivos. É o tipo de veículo que não coloca barreiras na relação entre homem e máquina, algo raro na atualidade. 

Relação visceral

Claro, é necessário ter braço para segurar um carro de tração traseira na hora de sentar o chinelo; por isso, decidi deixá-lo em seus modos menos indulgentes. Ainda assim, o Mustang não deixa de ser um carro equilibrado, com discos de freio nas proporções 380 mm x 34 mm, pinças de alumínio e seis pistões na dianteira. Basta pincelar o pé para que o alazão, mesmo em alta velocidade, reduza com violência. 

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A suspensão magnética é uma verdadeira obra de arte, e talvez um de seus grandes trunfos ante o principal rival. A Ford preparou um arranjo adaptativo MagnaRide, onde os amortecedores se ajustam de acordo com as condições do motorista. Basicamente, o campo eletromagnético é aplicado via eletroímãs ao óleo viscoso da suspensão, dotado de micropartículas, alterando completamente o seu comportamento. Essa característica ajuda não apenas na hora de acelerar, mas também para ir à padaria sem que suas obturações saltem pela janela.

Desvio de conduta

Os muscle cars sempre estiveram no imaginário popular como veículos imponentes, dotados de grandes motores, porém quase indirigíveis. Neste quesito, o Mustang se aproxima bastante de um carro europeu, e parece pronto para dar muito trabalho aos AMGs e Ms da vida. Já tive a oportunidade de acelerá-lo no Autódromo Velo Città, onde este esforço minucioso de engenharia para deixá-lo ainda mais equilibrado ficou bem evidente. Se você é fanboy dos esportivos da Mercedes-Benz ou da BMW, ele se aproximou bastante!

Uma das coisas mais legais sobre o Mustang é o leve destracionamento que acontece nas rodas traseiras durante as saídas de curva. Basta apontar a dianteira na direção da tangência para que a traseira - dependendo da dose no acelerador - saia “limpa”. A rolagem da carroceria é outro ponto forte que não deve para nenhum europeu. Nessa categoria que sempre sofreu nas curvas, o Mustang é impressionante. 

O Mustang aposta em uma entrega de força muito linear. Ao todo, são 466 cv de potência a 7.000 rpm e 56,7 kgfm de torque a 4.600 rpm. Sem aquela impulsão característica dos carros turbinados europeus, o Black Shadow pode girar até 8 mil sem fraquejar. De acordo com a Ford, o alazão pode atingir 100 km/h em apenas 4,3, com velocidade máxima de 250 km/h. Um verdadeiro tiro.

Outro grande trunfo do modelo é o câmbio automático de dez marchas. De início, pode-se até torcer o nariz. afinal, este tipo de transmissão não costuma cair tão bem em esportivos com motores grandes. O Jaguar XE V6 é um bom exemplo disso, onde a impressão que fica é que o conjunto não é capaz de extrair o máximo do motor.

A situação é diferente no Mustang, que aposta na elasticidade das transições. Ele é capaz de reduzir da oitava marcha diretamente para a terceira, se o motorista exigir. Em acelerações mais fervorosas, o Mustang ainda dá aquele leve solavanco nas trocas de marcha, característica que lembra bastante os esportivos da Porsche.

Outro ponto em que o esportivo americano e a fabricante de Stuttgart têm em comum é a sensibilidade da direção. Poucos conjuntos elétricos podem emular tão bem os antigos sistemas hidráulicos. Se você curte uma pegada mais “raíz” de condução, o Mustang Black Shadow comemorativo pode ser um prato cheio.

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Você dificilmente encontrará uma sensação parecida com a do Mustang Black Shadow por R$ 328.990 em uma marca alemã ou inglesa. Neste caso, sua guerra eterna com o Camaro continua. Talvez o modelo da GM seja mais “muscle” e menos “rua” que o alazão da Ford, agradando aqueles que procuram um veículo mais visceral. Enquanto você toma sua decisão, vamos acelerar um pouco mais…

Ficha Técnica - Ford Mustang GT 5.0 V8 Black Shadow

Preço: a partir de 328.990

Motor:  5.0, V8, 32 válvulas, gasolina

Potência:  466 cv a 7.000 rpm

Torque:  56,7 kgfm a 4.600 rpm

Transmissão:  Automático, dez marchas, tração traseira

Suspensão: Independente, McPherson (dianteira) / Independente (traseira)

Freios:  Discos ventilados (dianteiros e traseiros) 

Pneus:  255/40 R19 (dianteiros) e 275/40R 19 (traseiros) Michelin Pilot 

Dimensões: 4,79 m (comprimento) / 1,92 m (largura) / 1,38 m (altura), 2,72 m (entre-eixos)

Tanque: 60 litros

Porta-malas: 382 litros 

Consumo gasolina: 5,9 km/l (cidade) / 8,9 km/l (estrada)

0 a 100 km/h: 4,3 segundos

Velocidade máxima:  250 km/h 


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