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Depois do VW Fusca vieram modelos derivados, como a perua Kombi, além de versões baja e até anfíbio. Confira detalhes sobre cada uma delas

VW Fusca anfíbio bege
Divulgação
Volkswagen Fusca: o carro que acelerava o país e desbrava as estradas difíceis no período militar

Em 2019, o VW Fusca comemora os seus 81 anos de vida no mundo, 66 anos de Brasil, 60 anos de fabricação nacional, e no dia 22 deste mês, celebrará o “dia internacional do Fusca”. Como ontem teve, no Sambódromo do Anhembi (SP), o encontro para relembrar a trajetória deste que foi o modelo mais vendido em toda a história automotiva (21.529.464 unidades, entre 1938 e 2003), nós da redação do iG Carros, ainda tomados pelo sentimento de nostalgia, começamos a pensar no quão diverso o “besouro” conseguiu ser.

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Apesar dos diversos nomes que adquiriu — entre eles Beetle, Bug, Käfer, Type 1, Carocha, Coccinelle, Escarabajo, Maggiolino e outros — dele se derivou uma série de variantes, pensadas para propostas das mais diferenciadas. Entretanto, nada disso seria possível sem a ousadia do sanguinário Hitler (o desenhista) e os conhecimentos de Ferdinand Porsche (o projetista), que conseguiram unir a confiabilidade e a simplicidade do motor boxer a ar dos veículos militares da Alemanha na 2ª Guerra Mundial, com baixos custos de produção e um desempenho aceitável para a época. Com isso, veja as derivações do VW Fusca .

1 – Bugue

VW, Buggy, BRM
Divulgação
Buggy BRM é um dos brugues mais famosos, todos feitos com a estrutura e a mecânica do VW Fusca


Com origens na Califórnia (EUA), na segunda metade dos anos 50, esta era a opção descolada para se locomover pelas praias, com sol e vento nos cabelos. E em um país como o Brasil, onde 3,3 milhões de Fuscas foram vendidos, com praias paradisíacas que atraem turistas do mundo todo, incontáveis marcas brasileiras de Bugue surgiram desde o fim dos anos 60. Para citar poucas delas (sim, poucas), temos Beach, BRM, Bugre, Bugway, Cheda, Emis, Fercar, Fibravan, Fyber, Glaspac, Kadron, Menon, Mobby, RDK, Selvagem, Terral, Wake, Walksport e Way Brasil.

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A concepção do Bugue parte da fibra de vidro e do Fusca, uma vez que se utiliza do mesmo chassi e trem de força. Ou seja, além de extremamente simples, o resultado, dinamicamente falando, foi um veículo mais leve, ágil e divertido que as pesadas caminhonetes e jipes usados até então. Diante disso, se popularizaram inclusive entre militares, com certa praticidade na hora de montar uma metralhadora no teto.

2 – Baja

VW Fusca Baja laranja
Divulgação
VW Fusca Baja pode ser encontrado dos mais variados jeitos, tanto no Brasil quanto no mundo






Baja (ou Fusca Baja ) é mais uma criação dos californianos. Foram, no início dos anos 70, uma resposta ainda mais barata aos bugues, extremamente bem sucedidos. Eles são um tipo de modificação feita sobre a mecânica e o chassis do Fusca, mantendo a carroceria original, porém trocando os pára-lamas e outras partes por versões mais leves e menores, em fibra de vidro. E para os amantes do VW original, verão que nenhum outro veículo dessa lista se aproximam tanto dos Fuscas quanto os Baja.

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Vendidos inclusive em kits prontos, para converterem os Fuscas, os Baja ficaram populares nas competições, nas praias e até nas exposições. Com o tempo, mais engenharia e espírito esportivo foram se agregando à sua concepção, e com isso, os mais elaborados contam até com gaiolas para suportar maiores impactos e um estilo de direção ainda mais agressiva. Esse viés ligeiramente mais radical que o dos bugues se reflete inclusive no seu visual mais agressivo, cativando um público mais específico.

3 – Porsche 356

Porsche 356 azul
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Porsche 356 pode ser considerado um esportivo derivado do projeto original do VW Fusca alemão


Parece que a brincadeira com os “porschistas” — de que Porsche é Fusca — tem um bom fundamento! O 356 foi o primeiro modelo da marca alemã, que fez história entre os anos de 1948 e 1965. Foi apresentado com um chassi especialmente desenvolvido para abrigar seu motor VW de 1.086cm³, capaz de gerar 40 cv, e mais tarde viu sua cilindrada aumentar para os 1,3 litro, e depois para 1,5 L, 1,6 L e por fim o 2.0 L. Diferente do Type 64, carro que lhe deu inspiração, o 356 vinha com o motor e tração na porção traseira, tal como os Fusca.

Mas a relação com o “besouro vai além” de usar a mesma mecânica e partilhar a concepção simples. A ideia por trás do esportivo era de ser acessível, tal como o VW, mas com direção mais refinada, desempenho superior e com o dom de brincar com o sensorial de quem pegar uma carona nele. A questão da grife veio a surgir com os modelos mais refinados das décadas seguintes, após vencer corridas e agregar engenharia cada vez mais complexa, com o 911 no topo da cadeia.

4 – Type 166 “Schimmwagen”

VW Fusca anfíbio bege
Reprodução/Pinterest
VW Fusca anfíbio, o “Schimmwagen”, que se traduz do alemão como “nadador


“Schimmwagen”, que se traduz do alemão como “carro nadador”, pode ser considerado uma alternativa para os mais íntimos, uma vez que se chama Type 166 na realidade. Essa foi uma das encarnações do Fusca como veículo de guerra, em forma de anfíbio. Em sua traseira, uma hélice projetada para gerar propulsão em rios de baixa profundidade, com a ajuda da tração nas quatro rodas. Tal como o “irmão” do povo, foi o mais produzido de sua categoria, com cerca de 14.265 unidades entre 1942 e 1944.

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Batráquio
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O Batráquio: um "Fusca" anfíbio (pero no mucho) nacional, feito artesanalmente com peças disponíveis no nosso mercado

Na realidade do Brasil, temos o Batráquio, que é uma criação nacional inspirada no Schimmwagen. Concebido pelo empresário Erineu Cicarelli, animado após trocar os pneus de um dos poucos Schwimmwagen originais que estão no Brasil, mistura mecânica VW a ar, monobloco feto artesanalmente, faróis de VW Gol “bola” e lanternas de Corsa de primeira geração.

Enquanto o mundo lamenta que a maioria dos Type 166 foram destruídos na guerra, o brasileiro “faz do limão uma limonada”.

5 – Kombi

VW Kombi prata
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Volkswagen Kombi Série Prata usa a mesma base e e mecânica do VW Fusca com motor 1600 refrigerado a ar


Tal como o Fusca, quase todo mundo tem uma história com a Kombi . Seu projeto começou a ser esboçado em Wolfsburg (cidade alemã conhecida como a sede da VW) logo após a 2a Guerra Mundial. A fábrica não estava totalmente restaurada dos muitos danos causados pelos bombardeiros, e sabendo que a Alemanha inteira estava desse mesmo jeito, eis que nasce a ideia de um automóvel revolucionário — tanto que pode ser considerado o primeiro minifurgão do mundo.

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No Brasil, exatos 56 anos separam a primeira Kombi da última (1957–2013), e o que poucos sabem, é que seu nome é um apelido brasileiro, dado a partir da palavra alemã Kombinationsfahrzeug, que quer dizer “veículo combinado” ou “veículo multiuso”. E isso se evidencia nas suas aplicações no Brasil e no mundo. Foi o carro dos hippies, perua escolar, a van dos correios, da polícia, foi picape, carro de corridas, food truck e muito mais. Se o VW Fusca foi o “carro do povo”, a Kombi pode ser considerada o “carro do trabalhador”, um utilitário definitivo, derivada da concepção clássica da Volkswagen, como todos dessa lista.