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A Tracer saiu da família MT para ser uma touring. Mas esqueceram de amansá-la... Confira detalhes como se comporta o novo modelo

Yamaha Tracker 900 GT azul arrow-options
Guilherme Marazzi
Yamaha Tracer 900 GT é uma naked explosiva com aptidão também para viagens

A Yamaha MT-09 está de cara nova. A versão 2020 da naked explosiva, que está mais para funbike, chegou com muitas novidades. Opa, não é da MT-09 que vamos falar, mas sim da nova Yamaha Tracer 900 GT.

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A confusão acima foi proposital, para ressaltar que a nova Tracer não é mais uma MT-09 com alguns equipamentos extras, mas sim um novo modelo que inaugura a nova família Sport Touring. Isso mesmo: a Yamaha Tracer não tem mais o MT-09 no seu nome.

Os equipamentos adicionais que diferenciavam a MT-09 de sua versão Tracer eram a carenagem fixa, o painel de instrumentos maior e com mais funções, o cavalete central, protetores de mãos, para-brisa de altura regulável, tanque de maior capacidade e banco bipartido. Como acessórios, estavam disponíveis as malas laterais e o par de faróis auxiliares.

A nova Yamaha Tracer 900 GT tem os mesmos equipamentos de série, porém ganhou muitos novos itens. Quadro de alumínio e motor permanecem os mesmos, mas toda a parte posterior é nova. Carenagem, para-brisa regulável em três posições, painel de TFT colorido, protetores de mãos, cavalete central, aquecedores de manoplas e controlador de velocidade eletrônico são todos novos, assim como o guidão 100 mm mais estreito.

Na traseira, são novos o banco do piloto e do garupa, as carenagens laterais e a alça de apoio do garupa, assim como a sua pedaleira, mais confortável. O banco do piloto tem altura ajustável em duas posições.

A suspensão dianteira de garfo invertido tem nova calibragem, com regulagens de compressão e retorno independentes, enquanto que a suspensão traseira, que tem balança mais longa, tem agora regulagem de retorno e ajuste remoto de pré-carga que pode ser acionado sem ferramentas.

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O motor tricilíndrico leva o nome CP3 (as letras significam Crossplane, uma alusão à sua arquitetura interna com três planos cruzados) e fornece potência de 115 cv, com torque de 8,92 kgfm. Essa potência é suficiente para tornar a motocicleta extremamente nervosa, já que seu peso total, abastecida, é de apenas 215 cv. Para controlar a entrega de potência à roda traseira, a Tracer GT tem o sistema eletrônico Yamaha D-Mode que, em três opções, abre a borboleta do acelerador eletrônico com maior ou menor rapidez.

Painel da Yamaha Tracer 900 GT arrow-options
Guilherme Marazzi
Yamaha Tracer 900 GT tem tela de TFT é um pouco pequena, mas com muitas funções configuráveis

Além desse ajuste, há o controle eletrônico de tração, que impede que a roda traseira destracione em acelerações muito bruscas ou em piso de baixa aderência. São três posições: controle total, controle moderado ou totalmente desligado. O câmbio é de seis marchas e a embreagem tem o sistema deslizante Slip Clutch, que evita o travamento da roda traseira em desacelerações bruscas.

A eletrônica está bastante presente na Tracer 900 GT. O painel de instrumentos de TFT colorido, apesar de um pouco pequeno, é completo e configurável. O controlador de velocidade, para quem não quer ter o trabalho de ficar acelerando em uma estrada monótona, é fácil de ser utilizado.

Mas o melhor, mesmo, é o sistema Quick Shift , que permite a troca de marchas ascendentes sem utilização da embreagem e sem precisar soltar o acelerador. Pena que não há essa funcionalidade nas reduções de marchas.

Como é pilotar a nova Tracer

Yamaha Tracer azul arrow-options
Guilherme Marazzi
Na Yamaha Tracer 900 GT são novos carenagens, banco, guidão e protetores de mãos, entre outros itens

 Legal, bastante eletrônica. Mas o melhor da nova Yamaha Tracer 900 GT vai muito além disso. Podem encher a moto de detalhes que tornem uma viagem longa mais confortável que a pegada extremamente esportiva, brutal, até, não consegue ser disfarçada.

Com os ajustes eletrônicos nas posições mais liberadas, a Tracer realmente exige condução especializada. Caso contrário, é susto mesmo, ou chão. A frente levanta em qualquer marcha e aí o controle de tração ajuda bastante. Mesmo assim, cuidado.

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A percepção da diferença entre os três modos de potência, que age no acelerador eletrônico, é bastante nítida. Na posição A – “A” de agressiva –, o pulo na arrancada é imediato, até assusta. A posição B – “B” de branda – não é nada branda e, mesmo demorando um pouco mais para dar o bote, a Tracer GT acelera brutalmente. A posição Std – standard – é a intermediária.

Nos três modos, todos os 115 cv são despejados integralmente. Pouca coisa foi mudada no motor e na ciclística, pois a Tracer anterior, assim como a MT-09, já era bem resolvida nesse aspecto. Esportivamente falando, é claro. Só que, com a nova balança traseira 60 mm mais longa, a Tracer ficou mais confortável em linha reta e um pouco mais estável.

E como nem tudo pode ser totalmente conforme o desejo de todos, senti a falta do sistema Quick Shift também para reduções de marcha, que devem ser feitas com o auxílio da embreagem. Sobre esse sistema, na Yamaha Tracer 900 GT a ajuda em trocas ascendentes é assombrosa, se o motor estiver realmente em rotações muito altas. São frações de segundos preciosos em ganho de aceleração.

Em uso moderado, no entanto, o sistema da moto da Yamaha não funciona bem. Com menos de meio acelerador, a troca direta causa um tranco indesejável, que, no entanto, pode ser eliminado soltando a aceleração no momento certo, como se estivesse usando a embreagem. Seria como se estivesse trocando “no tempo”, com chances de, vez ou outra, ocorrer esse tranco. Então, melhor usar a embreagem.

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Por fim, mais uma reclamação: como uma touring não oferece malas laterais? Eu quero malas laterais! De acordo com o fabricante, elas virão em breve, em forma de acessório. Mesmo assim, a Yamaha Tracer 900 GT me conquistou. Com preço de R$ 49.390, além da bela cor azul acetinada da moto das fotos, A Tracer tem a versão preta, com detalhes prata nas carenagens e com rodas azuis. Ela já está disponível na rede da marca.