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Direto dos tempos em que o brasileiro realmente valorizava a esportividade

Na semana passada eu falei de Fiat Uno. Mas como vocês viram foi um exemplar especial, com veneno de sobra e uma exótica combinação mecânica com a R1. A simbiose ficou legal e o criador sem dúvida merece nossos aplausos pela ideia.

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Mas hoje falarei sobre esportividade de época. Sabemos que na década de 80 a rivalidade entre as marcas era grande nesse sentido. Ford, Volkswagen, Chevrolet e Fiat, claro, protagonizaram uma briga pelo consumidor que desejava algo mais apimentado. Assim nascia o Fiat Uno de alma esportiva.

Fiat Uno desperta a nostalgia

Fiat Uno 1.5R à esquerda e o Turbo à direita. Se tivesse que escolher um, qual seria?
Renato Bellote/iG
Fiat Uno 1.5R à esquerda e o Turbo à direita. Se tivesse que escolher um, qual seria?

O Uno foi lançado por aqui em 1983, com direito a evento exclusivo realizado em Cabo Canaveral, a famosa base de lançamento de foguetes na Flórida. O modelo permaneceu com a mesma aparência durante um bom tempo, passando por pequenas mudanças, até a revitalização em 2013

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O Uno 1.5R substituiu a versão SX e logo ganhou lugar na disputa. Isso porque o motor de 1,5 litro com dupla carburação trabalhava em conjunto com um câmbio curto, uma combinação que sempre se mostrou bem acertada para quem gosta de pisar fundo.

Já nos anos 90 a Fiat foi precursora de algo que agora é bastante comum e até foi popularizado: o turbocompressor. O pontapé inicial foi dado pelo Tempra, que trazia um motor de 2 litros sobrealimentado com nada menos do que 165 cv. Números dignos de respeito.

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O Uno Turbo veio em seguida com o motor de 1,4 litro, 114 cv (algo que na época correspondia a motores de litragem maior) e fôlego de sobra para dar trabalho aos concorrentes de mercado. O conjunto otimizado do carro até hoje é referência para quem admira um trabalho bem feito.

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Guiando os dois carros podemos notar que a marca italiana deixou seu passado para trás quando falamos de carros esportivos. Posição ao volante, empunhadura e a questão do câmbio curto, a qual já enfatizei, fazem a diferença, especialmente quando se leva em conta o contexto do período.

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Apesar disso, infelizmente a lei que obrigou todos os carros produzidos no Brasil a saírem de fábrica com ABS (sistema antitravamento dos freios) e airbags frontais, a partir de 1º de janeiro de 2014, representou -- indiretamente -- o fim de linha para os dois clássicos das ruas brasileiras: o  Uno Mille e a VW Kombi.

Nas próximas semanas falarei mais sobre esportivos nacionais, que tal como os Fiat Uno esportivos, deixaram saudade. Atualmente os modelos das décadas de 70, 80 e 90 se tornaram valiosos no mercado e a nostalgia jogou o preço para o alto. Nos vemos na próxima coluna.

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