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A dualidade do X-ADV é o seu maior atrativo. Também é bom no off-road. Confira detalhes sobre o que achamos do novo modelo da marca japonesa

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Guilherme Marazzi
Na cidade, o Honda X-ADV mescla as qualidades dos scooteres e das motos

Ôpa, espera aí! É “a” Honda X-ADV ou “o” Honda X-ADV? De acordo com o meu padrão, toda motocicleta é “a”, tratamento no feminino, e todo scooter é “o”, tratamento no masculino. Não é regra, apenas o meu tratamento pessoal. Como fica classificado, então, este inédito veículo de duas rodas?

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Do ponto de vista conceitual, Honda X-ADV é uma motocicleta, uma vez que tem motor na parte anterior da estrutura, como uma motocicleta, e transmissão secundária por corrente. Garfo dianteiro e balança traseira também são típicos de motocicletas.

Do ponto de vista estético, no entanto, e também prático, pode ser considerado um scooter , graças ao estilo inconfundível desse tipo de veículo e suas características peculiares, como mecânica escondida sob carenagens, tanque de combustível embaixo do assento e compartimento para capacete.

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Guilherme Marazzi
Painel de instrumentos com muitas funções e câmbio automático de 6 marchas

Essas características estão cada vez mais presentes em veículos de duas rodas do chamado segmento crossover, termo da língua inglesa que significa mistura. Um exemplo dentro da própria marca é Honda NC 750X , considerada uma motocicleta apesar de ter algumas características comuns aos scooteres, como o tanque embaixo do banco e um porta-capacetes no lugar onde em uma motocicleta comum estaria situado o tanque de combustível. Não por acaso, a NC 750X compartilha o motor da Honda X-ADV.

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Tanto blá-blá-blá pode até ser desconsiderado, uma vez que mais interessa o veículo e suas possibilidades do que a nomenclatura. Além do ineditismo visual – que agrada por onde passa –, o Honda X-ADV conta com conforto surpreendente e desempenho de sobra, graças a seu motor bicilíndrico de 745 cm3 e 54,8 cv e seus sistema de transmissão DCT, com trocas de marchas manuais ou automáticas.

Inicialmente avesso às extravagâncias visuais e conceituais do Honda X-ADV, bastaram alguns momentos de pilotagem para que eu cedesse aos meus convecionalismos e ficasse fã do produto. Inicialmente pilotando na estrada, na ocasião da viagem com a Honda GL 1800 Gold Wing ao Bike Fest, em Tiradentes, MG – situação na qual o X-ADV se mostrou muitíssimo bem adequado – agora foi a vez das sensações no uso urbano, em meio ao caótico trânsito de uma grande cidade.

A neutra cor cinza inicialmente oferecida tentava mas não conseguia esconder o Honda X-ADV da curiosidade da multidão. Já a nova e chamativa cor vermelha, apesar de cobrir apenas uma pequena parcela da carenagem, funciona como um captador de olhares, atraindo ainda mais a curiosidade de quem para ao seu lado no semáforo. E vem sempre a pergunta, é uma moto ou um scooter? Não importa o nome. É o Honda X-ADV.

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O ronco do bicilíndrico indica ser mais que um scooter. Um maxi-scooter, talvez. Motor ligado, sem precisar de chave, um botão no punho direito engata a transmissão DCT no modo “D”. Aí basta acelerar. E com cuidado, pois o arranque é forte. Nesse modo as marchas vão sendo trocadas automaticamente. São 6 marchas de verdade, diferente das transmissões CVT continuamente variáveis dos scooteres convencionais.

Mais um toque no mesmo botão, o modo vai para “S”, de trocas esportivas. Esse modo faz com que a rotação do motor suba um pouco mais antes de trocar de marcha, com três opções de rotação de troca. Há ainda o modo manual, no qual as marchas são trocadas por botões no punho esquerdo, no momento em que o piloto desejar.

A versão 2019 do Honda X-ADV incorpora, além da nova cor vermelha, o controle de tração que fez falta na versão de lançamento. O HSTC – Honda Selectable Traction Control – tem três níveis de interferência, com muita atuação, pouca atuação e desligado. Há ainda uma função G que, acionada, permite utilizar o controle de tração ao uso no fora de estrada, modificando o comportamento da embreagem nas trocas de marchas e reduzindo o destracionamento.

Personalidade múltipla

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Na estrada, o Honda X-ADV surpreende pelo conforto e desempenho

A dualidade dessa moto crossover é o seu maior trunfo. Concebido para diversão, principalmente no fora de estrada, sua característica de scooter poderia limitar os movimentos do piloto, como no caso de pilotar de pé, para aumentar o controle direcional e abaixar o centro de gravidade do conjunto. As plataformas em ambos os lados do veículo dificultam essa prática. Nesse caso, há um acessório que pode ser instalado nas laterais, que é um par de pedaleiras como em uma motocicleta, situadas mais para trás e mais para fora do veículo.

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Também como acessórios originais, estão disponíveis um protetor de carenagem e um bauleto de alumínio, ambos possíveis de serem instalados sem necessidade de adaptação. O painel de instrumentos, de LCD monocromático, tem muitas funções, incluindo o computador de bordo, e de fácil manuseio e leitura. O para-brisa é ajustável em cinco posições de altura.

Eu já havia atestado o comportamento do Honda X-ADV na estrada, uma ótima surpresa. Agora foi a vez de rodar na cidade. Um tanto pesado e alto para essa função, mas da mesma forma divertido. Não tem a agilidade de um scooter pequeno, mas passa bem em situações de trânsito congestionado.

A maior preocupação, no caso da cidade de São Paulo, cheia de radares e controladores de velocidade, é se manter abaixo da velocidade legal, que, neste caso, pode ser de 40 ou de 50 km/h. Tarefa ingrata, uma vez que qualquer acelerada, acompanhada de um ronco gostoso e de prazerosas trocas de marchas, faz passar, e muito, desses limites. Espero não ter sido apanhado, sem querer, em uma dessas armadilhas.

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Por fim, o maior defeito do Honda X-ADV : o preço. Produzido na Itália e sujeito a uma grande carga de impostos, o X-ADV custa R$ 55.998. O baú original de alumínio custa mais R$ 4.990 e o protetor de carenagem R$ 5.526.